Direito de Família

Um dos pais impede as visitas: o que fazer?

Joice Nogueira 01 de setembro de 2026
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Um dos pais impede as visitas: o que fazer?

Direito de Família

Um dos pais impede as visitas: o que fazer?

Resumo: quando um dos pais impede ou dificulta repetidamente a convivência do filho com o outro, é importante entender se já existe uma decisão judicial regulamentando as visitas, reunir provas do que está acontecendo e avaliar quais medidas podem ser adotadas para preservar a convivência familiar.

Este conteúdo é informativo.

Pai ou mãe pode impedir o outro de ver o filho?

Em regra, não se deve impedir injustificadamente a convivência da criança ou do adolescente com o outro genitor.

A convivência familiar não deve ser enxergada apenas como um direito do pai ou da mãe. Ela está diretamente relacionada ao direito da própria criança de manter vínculos familiares saudáveis.

Por outro lado, existem situações excepcionais em que a convivência pode precisar ser restringida, suspensa ou supervisionada para proteger a criança. Nesses casos, o caminho adequado é buscar a análise judicial, especialmente quando houver risco à integridade física ou emocional do menor.

E quando já existe uma decisão regulamentando as visitas?

Se já existe acordo homologado ou decisão judicial estabelecendo dias, horários e condições para a convivência, o seu descumprimento pode ser levado ao conhecimento do Judiciário.

É importante documentar cada episódio. Mensagens informando que a criança não será entregue, tentativas frustradas de buscar o filho, alterações injustificadas de horários e outros registros podem ajudar a demonstrar que o problema é recorrente.

Dependendo do caso, podem ser requeridas providências destinadas a garantir o cumprimento do regime de convivência.

E se ainda não existe regulamentação de visitas?

Quando os pais possuem apenas um acordo verbal, os conflitos podem se tornar mais difíceis de resolver.

Nesse cenário, pode ser necessário ajuizar uma ação de regulamentação de convivência para definir de forma clara como ocorrerá o contato da criança com o pai ou a mãe que não reside com ela.

A decisão pode estabelecer finais de semana, feriados, férias escolares, datas comemorativas, horários para buscar e devolver a criança e outras regras necessárias para reduzir conflitos.

A criança não quer ir. O que fazer?

Essa situação precisa ser analisada com cautela.

A recusa da criança não deve ser automaticamente ignorada, mas também não significa, por si só, que um dos pais possa simplesmente encerrar a convivência.

É importante compreender a idade da criança, sua maturidade e principalmente os motivos da resistência.

Dependendo da situação, pode ser necessária avaliação técnica e acompanhamento por profissionais especializados, especialmente quando o conflito entre os adultos começa a afetar emocionalmente o filho.

Impedir visitas pode ser alienação parental?

A interferência injustificada na convivência da criança com o outro genitor pode ser juridicamente relevante, mas é preciso ter cuidado com conclusões automáticas.

Nem todo desentendimento sobre horários, atrasos ou episódios isolados caracteriza alienação parental.

É necessário analisar o comportamento dos envolvidos, a frequência das interferências, suas justificativas e principalmente o impacto sobre a criança.

Posso simplesmente buscar meu filho mesmo contra a vontade do outro pai?

Não é recomendável transformar a entrega da criança em uma disputa física ou situação de confronto.

Além de poder agravar o conflito entre os adultos, isso pode expor a criança a uma experiência extremamente negativa.

Quando a convivência está sendo impedida, o mais seguro é documentar o ocorrido e utilizar os meios jurídicos adequados para fazer cumprir ou regulamentar a convivência.

Um exemplo prático

Imagine que Carlos possui decisão judicial permitindo que fique com a filha em finais de semana alternados.

Nos últimos dois meses, ao chegar para buscá-la, recebe mensagens dizendo que ela tem outros compromissos, que haverá uma viagem ou simplesmente que não poderá sair naquele final de semana.

Se isso se torna recorrente e não existe uma justificativa relacionada à proteção da criança, Carlos pode guardar as mensagens e demais registros das tentativas de convivência e buscar judicialmente o cumprimento da decisão.

Quais provas devo guardar?

  • mensagens de WhatsApp e outras conversas sobre as visitas;
  • e-mails relacionados à convivência;
  • cópia da decisão ou acordo que regulamentou as visitas;
  • registros das datas em que a convivência foi impedida;
  • eventuais testemunhas dos episódios;
  • documentos relacionados às justificativas apresentadas para impedir a convivência.

Checklist: o que fazer quando estão impedindo as visitas?

PontoConferido?
Existe decisão judicial ou acordo regulamentando a convivência?Sim / Não
Tenho mensagens mostrando que tentei exercer a convivência?Sim / Não
Anotei as datas em que não consegui ver meu filho?Sim / Não
Existe alguma justificativa relacionada à segurança da criança?Sim / Não
O impedimento está acontecendo repetidamente?Sim / Não

Conclusão

Quando um dos pais impede injustificadamente a convivência da criança com o outro, o problema não deve ser tratado apenas como uma discussão entre ex-companheiros.

A prioridade deve ser preservar os interesses e a estabilidade emocional da criança.

Se já existe uma decisão judicial, é possível avaliar medidas para exigir seu cumprimento. Se ainda não existe regulamentação, pode ser necessário pedir judicialmente que as regras de convivência sejam definidas.

Perguntas frequentes

A mãe pode impedir o pai de ver o filho?

Em regra, não deve haver impedimento injustificado. Se existir risco concreto para a criança, a situação deve ser levada ao Judiciário para que sejam definidas as medidas adequadas de proteção.

O pai não paga pensão. Posso impedir as visitas?

O pagamento de alimentos e a convivência familiar são questões juridicamente distintas. O atraso da pensão deve ser cobrado pelos meios próprios e, em regra, não autoriza impedir a convivência como forma de cobrança.

Não existe decisão sobre visitas. O que posso fazer?

Pode ser proposta ação para regulamentar a convivência e estabelecer dias, horários, férias, feriados e outras condições.

O que faço se a decisão de visitas não está sendo cumprida?

Guarde provas dos descumprimentos e avalie a adoção das medidas judiciais adequadas para exigir o cumprimento do regime estabelecido.

Você está sendo impedido de conviver com seu filho ou precisa regulamentar as visitas? Reúna as mensagens, decisões e demais documentos do caso e avalie quais medidas jurídicas podem ser adotadas.

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