Plano de saúde negou cirurgia: o que fazer?
Direito à Saúde e Direito do Consumidor
Plano de saúde negou cirurgia: o que fazer?
Resumo: a negativa de uma cirurgia não significa necessariamente que o paciente ficará sem tratamento. É importante conhecer o motivo da recusa, reunir a documentação médica e verificar as regras do contrato e da cobertura assistencial.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui análise individual de advogado(a) habilitado(a). A cobertura depende do contrato, da indicação médica, da modalidade do plano e das particularidades do tratamento.
O plano negou a cirurgia indicada pelo médico. Isso é permitido?
Nem toda negativa de cobertura é automaticamente ilegal, mas a operadora não pode simplesmente recusar um procedimento sem que a situação seja analisada conforme o contrato, a Lei dos Planos de Saúde, as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as circunstâncias clínicas do paciente.
Por isso, o primeiro passo é descobrir exatamente por que a cirurgia foi negada.
Peça a negativa por escrito
Não se limite a uma informação recebida por telefone. Solicite o motivo da negativa e guarde o número do protocolo do atendimento.
A justificativa é importante para verificar se a operadora alega, por exemplo:
- procedimento sem cobertura contratual;
- procedimento fora do Rol da ANS;
- carência contratual;
- ausência de determinada Diretriz de Utilização;
- material ou técnica cirúrgica não autorizada;
- falta de documentação médica;
- divergência quanto à indicação do procedimento.
O que é o Rol da ANS?
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde estabelece uma referência básica de cobertura obrigatória para os planos regulamentados, observadas a segmentação contratada e as regras aplicáveis.
Entretanto, a ausência de determinado tratamento no rol não significa, isoladamente, que jamais poderá existir cobertura.
A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu critérios legais para análise da cobertura de tratamentos ou procedimentos que não estejam previstos no Rol da ANS.
O relatório médico é importante?
Sim. Um relatório médico detalhado pode ser fundamental para compreender a necessidade do procedimento.
É recomendável que o documento descreva, quando aplicável:
- o diagnóstico do paciente;
- o tratamento indicado;
- as razões da indicação da cirurgia;
- tratamentos anteriormente realizados;
- os riscos da demora ou da ausência do procedimento;
- a urgência, quando existente;
- justificativa para técnica, material ou procedimento específico.
E se a cirurgia for urgente?
Nos casos em que existe risco concreto de agravamento da saúde, a urgência da situação deve ser demonstrada por documentação médica.
Dependendo das circunstâncias, pode ser necessária uma medida judicial urgente para que a cobertura seja analisada antes do julgamento definitivo do processo.
É possível conseguir uma liminar?
A tutela de urgência, popularmente chamada de liminar, pode ser solicitada quando estão presentes os requisitos legais, especialmente elementos que indiquem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.
A concessão não é automática. O juiz analisará os documentos, o contrato, a indicação médica, o motivo da negativa e as particularidades do caso.
Quais documentos guardar?
- carteirinha do plano;
- contrato, quando disponível;
- comprovantes de pagamento das mensalidades;
- pedido médico da cirurgia;
- relatório médico detalhado;
- exames relacionados ao diagnóstico;
- negativa da operadora;
- protocolos de atendimento;
- orçamentos e documentos hospitalares, quando existentes.
A negativa gera dano moral?
Não necessariamente. O Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que a simples recusa indevida de cobertura médico-assistencial não gera, por si só, dano moral presumido.
Para eventual indenização, devem ser analisadas as circunstâncias concretas e as consequências da negativa para o paciente, especialmente quando houver agravamento da situação, urgência ou outros elementos relevantes.
Conclusão
Se o plano negou uma cirurgia indicada pelo médico, obtenha a justificativa da recusa e reúna rapidamente a documentação médica.
A legalidade da negativa depende de diversos fatores. O contrato, a doença, a indicação médica, as regras da ANS e a urgência do tratamento precisam ser analisados em conjunto.
Se houve negativa de cirurgia, tenha em mãos o pedido médico, o relatório clínico e a justificativa do plano para permitir a análise do caso.
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